|
|
|
|
Opinião
|
|
| Fernando José Dias da Silva |
| |
Ser influente não é sopa |
|
|
Esses estrangeiros não têm jeito mesmo. Não entendem o que se passa no país. Não estão atentos, ignoram a luta da oposição e dos grandes meios de comunicação para acabar com a ameaça de perenização do atual esquema autoritário de poder, a briga que está sendo desconstruir a candidatura de Dilma Roussef, a dificuldade para mostrar a verdadeira face de Lula. Os estrangeiros não estão percebendo o esforço da oposição democrática, dos jornalistas independentes e da elite consciente: ficam fazendo gracinhas para Lula. Primeiro foi o jornal espanhol “El País”, depois o francês “Le Monde” e agora e a revista americana Time, que elege Lula como um dos líderes mais influentes do mundo, com direito a artigo do cineasta Michael Moore, outro “festivo”, que quer destroçar os valores norte-americanos, e diz que o presidente brasileiro é “o verdadeiro filho da classe trabalhadora da América Latina”. É preciso apertar ainda mais o cerco. O alerta da presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Maria Judith Brito, da diretoria do grupo Folha, não foi levado ao pé da letra. Ela disse textualmente: “Os meios de comunicação estão fazendo de fato o papel oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma, incomoda sobremaneira o governo”. Aqueles que estão do lado certo precisam levar mais a sério seus papéis. Não podem deixar que a imprensa internacional seja seduzida por uma máquina de propaganda colossal que vende uma realidade diversa do que acontece no país. O mais grave ainda é que o eleitor que vai votar em outubro também está sendo induzido a cometer o mesmo erro: votar no governismo à custa de mentiras e receber de presente um governo que já está aparelhado, pronto para instalar o Estado Dominador, o Estado Autoritário que vai cercear as liberdades, vai instaurar o populismo sem máscaras, o assistencialismo para corromper as massas, e lançar mão da corrupção mais vergonhosa ainda para tapar a boca das forças políticas. Eles tentam, mas não dá para disfarçar: Lula é amigo e faz o que mandarem Hugo Chaves, Fidel Castro, Cristina Kirchner e Mahmud Ahmadinejad. Não tem jeito, esse estado de coisas não pode continuar. É a democracia brasileira que está em jogo e não pode cair nas mãos de uma guerrilheira. Diante disso é melhor parar por aqui, senão os mais impressionáveis podem imaginar que a única saída para este modesto escrevinhador é a casa de saúde, o hospital psiquiátrico onde deveria ficar sob vigília permanente cercado dos maiores cuidados, sob o efeito dos antipsicóticos mais potentes, dos enfermeiros mais parrudos e usando “camisa de força”. Mas que é divertido, é; assistir as peripécias de Lula no exterior e a irritação daqueles que não se conformam como isso pode acontecer. A situação é tal que até a velha idéia de que a esquerda nunca se unia, só se unia na cadeia, ficou ultrapassada. A direita e a centro direita estão mais divididas do que nunca. Os mais ferozes desconfiam até de José Serra. Tem duvidas da sua conversão. Acham nebuloso o seu papel de presidente da UNE, de defensor do governo João Goulart e, principalmente, desconfiam das suas divergências dentro do governo Fernando Henrique, na época em que foi ministro do Planejamento e não concordava com os caminhos tomados dentro da política econômica. Para esses, Serra não é o candidato dos sonhos, mas não há muito que fazer. Então, o negócio é mesmo demonizar Dilma e depois, se a operação der certo, monitorar Serra para que ele não caia em tentação. Essa turma não enxerga um palmo adiante do nariz, estão em 1910, na questão social, e não constataram a derrocada do neoliberalismo, na questão econômica. Tratam empresários e banqueiros que estão com o governo como traidores. Vivem falando em democracia, mas uma democracia sem barulho, sem reivindicações, sem pressões de baixo para cima, sem trabalhador fazendo passeata, atrapalhando o trânsito e pedindo aumento. E o mais interessante, o mais paradoxal, de todo essa salada é que Dilma Roussef começou mal a sua campanha. Serra que tinha problemas em unir o seu povo conseguiu passar por cima de tudo e começa a aparecer com uma campanha mais solta, mais azeitada e ajustada. Serra teve que enfrentar o gingado de Aécio Neves, a falta de coesão tucana e os beicinhos feitos pelo pessoal do DEM. Mas foi mais experto e conseguiu centralizar a campanha. Agora o que vale é o que ele diz. Os palpites nem sempre felizes dos aliados cheios de plumas não valem nada. E Serra também erra. Já errou várias vezes, mas os seus erros não são levados em conta para efeitos de imagem. Com Dilma está acontecendo o contrário. Parece que tem espaço curto para atuar por conta própria. Demonstra um cuidado exagerado nas suas movimentações para não sair do compasso de uma aliança muito grande que envolve gente de todas as tendências políticas. Sua campanha foi fatiada entre caciques petistas. Na realidade ainda ninguém está preocupado com erros e acertos dos candidatos. É muito cedo. Mas a impressão que fica é que a campanha de Serra está mais ajustada para enfrentar o período decisivo que começa depois da Copa do Mundo. Dilma não pode carregar essa imagem de insegurança para o programa no rádio e na televisão, porque aí todos estarão prestando atenção no desempenho dos candidatos.
|
|
Voltar
|