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Opinião
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| Fernando José Dias da Silva |
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Candidatos à procura de seus personagens |
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Impressionante a convergência. Os analistas políticos, os jornalistas mais experientes, os cientistas das mais renomadas faculdades, assim como, os astrólogos, quiromantes, numerólogos, mães de santo, babalorixás, são unânimes em afirmar que vencerá a eleição presidencial o candidato que obtiver o maior número de votos nas urnas. E perdedor será, conseqüentemente, aquele que não conseguir ultrapassar a soma de votos do vencedor. As opiniões, de forma extraordinária, também coincidem quando se analisam as possibilidades de cada um. Se Dilma conseguir ultrapassar a barreira dos 30%, que é historicamente o patamar de votos do PT, a chance da candidata de Lula chegar à reta final se consolida. No caso de Serra, o desafio é conseguir se firmar como aquele que vai continuar a obra do governo e irá mais além, incorporando receitas novas e positivas à cartilha de Lula. Dessa forma, Serra pode continuar na ponta das pesquisas eleitorais e pensar com muito cuidado no terno da posse. São estupendos os nossos especialistas. O problema que ainda enche de dúvidas todos os sabichões é como os dois adversários vão fazer para encontrar o caminho certo para as suas candidaturas. O começo tem mostrado os dois patinando. Eles já se apresentaram como candidatos. Mas nenhum conseguiu marcar diferenças. As últimas pesquisas indicam que as coisas não se mexem ou andam de lado. Parece até que existe calma no interior das duas campanhas. Mas a calma é aparente. O grupo que chefia a campanha de Dilma diz que está tudo dentro do previsto e comemora a maior desenvoltura da candidata nos últimos dias. Dentro do previsto , nada. No PT muita gente está preocupada não concorda como as coisas estão seguindo. Dilma não poderia ter começado escorregando em declarações e não respondendo claramente a ataques. Esses petistas consideram que a agenda da candidata tem que ser modificada, que ela ainda não perdeu o jeitão de ministra toda-poderosa e ainda não deixou claro que é a única candidata de Lula. Na oposição a tensão não é menor. Principalmente no que se refere aos aliados, que não sabem se conter quando se aproximam dos microfones. A indicação do senador Sérgio Guerra como chefe da campanha está sendo muito contestada. Guerra está em situação difícil no seu Estado, Pernambuco, onde sua reeleição para o Senado ficou complicada. E alguns tucanos acham que a chefia da campanha não pode ser dada como prêmio de consolação para qualquer um que esteja naufragando em termos eleitorais. As intervenções de Guerra são desastrosas, segundo alguns tucanos próximos a Serra, como a entrevista nas Páginas Amarelas da Revista Veja, onde ele disse que o Bolsa Família seria modificado e a política econômica também sofreria mudanças. Com relação a Serra não há grande problema, porque ele tem a tarimba adquirida pelo tempo todo que está na estrada. Mas mesmo assim Serra escorrega. Suas declarações na Federação das Indústrias de Minas Gerais foram qualificadas como um desastre. Serra disse que iria rever contratos se fosse eleito. E como se sabe empresários,de qualquer tipo ou tamanho, tem alergia imediata quando se fala em mudança de contratos. Serra também acabou com o Mercosul, que mais atrapalha do que ajuda o Brasil, segundo o candidato da oposição. O jornal Clarín, o maior da Argentina, registrou a titubeada e lembrou a Serra que mais de 60% das exportações de manufaturados do Brasil é escoada através do Mercosul. Apesar da verdade dura definida pelos especialistas sobre a vitória pertencer aos mais votado, a verdade é que os dois candidatos, tanto Dilma como Serra, estão em posições incomodas: eles não ocupam posições naturais. Dilma foi imposta por Lula e parece que até sente um pouco de vergonha de se declarar a sucessora do presidente. É indisfarçável o constrangimento quando ela diz: “nós fizemos”. Por isso as suas intervenções parecem forçadas, sem sinceridade. Serra, do seu lado, faz uma ginástica imensa para aparecer como um candidato da oposição, mas que não é bem de oposição porque não tem nada contra este governo de mais de 70% de aprovação popular. O resultado é que o discurso do candidato fica meio truncado, meio picotado, meio “biruta de aeroporto”, que muda ao sabor do vento. Aliás, “biruta de aeroporto” foi a única contribuição feliz que a campanha de Dilma conseguiu fazer circular até agora contra o seu adversário. No meio de tudo isso está Ciro Gomes que se tornou um paralelepípedo dentro do sapato do governo. Na estratégia de Lula não cabe um segundo candidato governista. A intenção é polarizar a disputa é transformá-la mesmo no “nós contra eles” e Ciro fica no meio atrapalhando o tráfego. A hora de Ciro sair de campo já passou, por isso o PSB, partido do candidato, quer a intervenção de Lula para mostrar o cartão vermelho. O PSB e o PT têm medo da reação de Ciro e todos acham que o afastamento precisa se dar, mas sem traumas que provoquem reações inesperadas do cearense de Sobral. A saída de Ciro serviria para deixar mais evidente que a única candidata de Lula é Dilma, mesmo que Serra queira entrar no vácuo de uma situação de certa forma indefinida até agora. Outra possibilidade é a licença de Lula da presidência para se dedicar exclusivamente à campanha da sua patrocinada. Uma solução que não é consenso entre os governistas, mas que não foi descartada. Tanto é assim que o trabalho de limpeza do terreno já foi feito com a decisão de José Alencar continuar na vice-presidência e não se candidatar a nenhum posto eletivo. Apesar de tudo continua valendo o vaticínio dos nossos gurus. Vai ganhar quem tiver mais votos. O resto é bobagem.
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