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Opinião
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| Fernando José Dias da Silva |
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O final de outra etapa |
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Andam todos cuidadosos, os meninos e também as meninas. Está aí uma nova característica desta campanha presidencial. Os candidatos não avançam o sinal, os movimentos são estudados, previsíveis, esperados, quase óbvios. É tanta a preocupação que se alguém dá bom dia para um candidato, ele vai perguntar por que, qual é a informação sobre o dia que vai fazer, onde ela foi conseguida, os detalhes. O exagero mostra o clima em que se está vivendo neste momento da corrida de obstáculos que é a eleição. E nem mesmo as promessas, que são as marcas registradas da disputa, estão sendo feitas. Os candidatos não podem deixar de prometer, claro, mas tudo acontece de maneira superficial, sem comprometimento, sem aquelas mentiras deslavadas que são ridículas, mas acrescentam a pitada de sal na salada de siglas e nomes que não tem muito sentido e nem coerência. Prometer, eles continuam prometendo só que em linhas gerais, de acordo com as regras de bom procedimento e das boas maneiras. Seria absurdo os candidatos não dizerem que vão melhorar a situação da saúde, da educação, da segurança. Mas ninguém se aprofunda nos temas. São declarações que podem ser usadas em qualquer ocasião, fazem parte de uma espécie de teologia política onde são abordados os temas em geral como a arquitetura financeira do mundo, todos se colocam contra a impunidade, a discriminação da mulher e das minorias, o respeito ao meio ambiente, à dignidade dos cidadãos, a corrupção e outros assuntos assemelhados. Essa avalanche de boas intenções se explica pela singularidade da própria disputa deste ano. E o motivo é simples: a popularidade de Lula. Por isso a palavra mudança por enquanto está interditada dento do debate. A apresentação de novos projetos, de novas idéias, fica de fora por enquanto ou é dosada a conta-gotas nos discursos. Isso porque todos querem ser os continuadores da obra de Lula o que também tem muito de ficção. Porque está certo que Lula é popular, mas não resolveu todos os problemas do país. E precisa chegar o momento em que o mito precisa ser derrubado sem traumas e sem rompimentos drásticos. A hora de derrubar a estátua ainda não chegou, mas vai chegar porque não há motivo para que ele sobreviva, é só uma estátua. Na política, a revisão histórica pode demorar mais tempo ou menos tempo, mas sempre estará postada numa esquina da vida. Evidentemente, Fernando Henrique saiu pior do que Lula do seu período no Palácio do Planalto. No entanto, FHC foi considerado, de maneira geral, um bom presidente porque andou dentro dos parâmetros da democracia. Mas seu engano, seu erro, sua fatalidade histórica foi ter se entusiasmado muito pela época em que vivia. Hoje o fardo que ele carrega por ter se embriagado com o mercado, com as maravilhas que o pensamento único oferecia àqueles que adotavam os seus dogmas, é respeitável. Não se sabe ao certo se Fernando Henrique chamou os aposentados de vagabundos, mas o seu governo trabalhou muito nesse sentido. Sua equipe econômica tinha mania em considerar como vanguarda do atraso aqueles que ainda consideravam o Estado de Bem Estar Social como um dos grandes avanços da sociedade no Século XX. FHC pode ter entrado na história no momento errado. Lula pode ter mais sorte nesse aspecto. Mas mesmo assim não vai passar incólume quando for a hora de pesar a sua verdadeira importância no desenrolar dos fatos acontecidos. No caso da eleição também não dá para ser clone de Lula. Os candidatos vão precisar expor as suas diferenças. As diferenças entre eles e as diferenças entre o atual governo. O governo Lula em termos políticos já faz parte do passado e assim vai precisar ser tratado pelos candidatos queiram ou não. A luta de Lula e da sua administração está entre o esquecimento e a nostalgia. Os candidatos de agora fazem parte de uma outra quadra que está pela frente e até podem incorporar, salientar e reivindicar o papel de uma espécie de escolhidos como herdeiros de um estilo, mas não dá para ficar parado, bloqueado diante das recordações de um passado recente. A dinâmica do processo não permite. Por isso, depois de passada a Copa do Mundo, quando as chapas forem oficializadas, vai começar, de fato, o confronto entre os adversários. E aí já pode ter inicio a revisão do que foi o período de Lula sentado na cadeira da presidência. É simples, mas às vezes é doloroso.
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