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Opinião
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| Fernando José Dias da Silva |
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Canteiro de bromélias |
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Não me venham dizer que não. A escolha para síndico de prédio pode ser muito mais excitante do que eleição municipal. O síndico tem mais poder e, na maioria das vezes, é representante de uma corrente que defende uma posição dentro do condomínio. A luta é dura e se trava, por exemplo, entre aqueles que querem fazer um canteiro de plantas e flores e os outros que querem entesourar o dinheiro como provisão se surgir um gasto extra. Esse fascínio da disputa não existe na luta pelas prefeituras. Tudo é igual, todos os candidatos são iguais. E mais: no prédio a disputa é positiva, na eleição municipal é sempre negativa, do contra. Afinal convenhamos, se ganhar a turma do canteiro, todos vão poder desfrutar das bromélias, dos hibiscos, das orquídeas das marias sem vergonha e por que não dos filodendros, que vão enfeitar e alegrar o ambiente comum dos moradores. Se, por outro lado, vencer a turma dos poupadores, quando estourar um cano, quebrar a bomba d´água, não será necessário passar o chapéu porque existe dinheiro em caixa. Haverá legitimidade qualquer que for a escolha. Na eleição para a prefeitura essa palpitante concorrência não existe. Ganhando A ou ganhando B já se sabe que os engarrafamentos monumentais vão persistir, que a especulação imobiliária só pode crescer, como crescem os espigões, cada vez maiores e sem graça, que o espaço público continuará a ser rifado em benefício da causa do lucro particular, que continuarão as filas nos postos de saúde e nos hospitais, que o ensino nas escolas continuará firme na sua mediocridade e por aí vai. Para a prefeitura não existe a diferença entre o canteiro de bromélias e o estouro do cano. Os candidatos a síndico das cidades apresentam programas iguais. São insuportavelmente previsíveis nas suas promessas. Por isso a diferença entre um candidato e outro está no gosto de cada eleitor. É como pedir um cheesesalada ao invés de um misto-quente ou trocar uma fanta-uva por uma coca-zero. No fundo, tanto faz. Faz diferença você colocar o candidato de uma cidade para disputar noutra? Não faz. Marta Suplicy e Márcio Lacerda, uma de São Paulo e outro de Belo Horizonte, são iguais. Mandar Geraldo Alckmin para Recife e trazer de lá Mendonça Filho dá no mesmo. Alguns acham até que o kassabinho, o boneco que anima a propaganda de Gilberto Kassab, é mais expansivo que o original. Fica complicado assim. Os candidatos são escolhidos por questões de empatia pessoal. Marta Suplicy é chata porque é chata. E pronto. Nem mesmo se fantasiando de tiazona, sessentona, Marta conseguiu mudar. Os marquetiros bem que tentaram e quem diz isso é o Correio Braziliense - porque eu não sou mal educado a esse ponto. Escureceram o seu cabelo, fizeram a candidata usar óculos, diminuíram a sua pintura e contiveram os seus gestos. Mas Marta continua com a imagem arrogante para uma parcela ponderável do eleitorado paulistano. Não interessa o que ela vai fazer se for eleita. O que importa é que ela não é simpática. Ninguém sabe direito como acontecem essas coisas. Claro que os gestos e o marketing contrário ajudam a fixar a imagem negativa de um político. Mas esse é um processo que não tem uma regra específica, não está nos manuais. E como não existe debate de propostas, ninguém liga para o canteiro ou para o cano estragado, o que vai ficando mesmo é a marca, a forma como o político é colocado para ser consumido pelo eleitor. Marta Suplicy, por exemplo, não conseguiu mudar o seu perfil. Mais dramático, entretanto, são aqueles que conseguem piorar a imagem fazendo a mesma coisa que faziam, mas numa outra realidade, num outro contexto. O picolé de chuchu é caso para ser estudado. O picolé, como é carinhosamente chamado Geraldo Alckmin, carregava essa característica de ser um político meio neutro, sem nenhum sabor carregado, sem fazer mal nem bem à digestão de qualquer um. Depois destas eleições municipais, Alckmin continua sendo o picolé, mas agregou ao seu currículo uma certa imagem de oportunismo, de pessoa que não respeita o espaço político dos outros, que pensa apenas nos seus interesses pessoais sem prestar atenção no conjunto. Ao tentar atropelar o esquema de José Serra, seu companheiro de partido, em São Paulo, colocando-se como candidato criou muitos constrangimentos e, na seqüência, muitos inimigos também. Outro caso que pode ser citado é o de Sarah Palin, a candidata a vice-presidente na chapa do republicano John McCain. Aí talvez tenham inventado um personagem para ela. Ela é fraquinha, mas os marqueteiros americanos, muito mais profissionais que os brasileiros, consideraram que isso não tinha importância nenhuma. Palin só tinha que desempenhar o papel de esposa e mãe superconservadora. Foi uma aposta arriscada que deu certo no primeiro momento. Mas passada a novidade, Sarah Palin vem recebendo muitas críticas, até de seus companheiros republicanos. Faried Zakaria, editor-chefe da Newsweek internacional, escreve no editorial do último número da revista que Sarah Palin é perigosamente ignorante em questões de economia e de política internacional. Não está preparada para o trabalho de vice-presidente, quanto mais de presidente, se tiver que substituir McCain. A ex-governadora do Alasca é mais um caso de imagem sem conteúdo que conseguiu ocupar espaço por um tempo e perdeu a importância porque mudou o assunto, porque os holofotes foram procurar outros atores que estão chamando mais a atenção. A senhora Palin foi bem no debate em que se confrontou com o democrata Joe Biden. E daí. Ela continua sendo despreparada. Sua atuação demonstra apenas que ela fez a lição de casa. Decorou um monte de frases prontas e assim conseguiu sobreviver através de mais uma mágica do marketing político. Mas voltando ao nosso canteiro, chama a atenção também a postura do tribunal eleitoral que está agindo como os candidatos vazios de propostas. Fazendo propaganda sem razão de ser. Dizendo numa musiquinha que é preciso escolher o candidato direito e votar certo porque senão vai dar confusão. Mas o que é votar certo? Se existem várias chapas legalmente registradas, o certo é votar em qualquer uma delas. E qual confusão? Confusão nenhuma. A eleição está aí para eleger um dos candidatos. Não cabe à justiça eleitoral deixar transparecer que um candidato é certo e outro é errado e vai dar confusão. Quem está criando confusão é o tribunal que não tem nada a ver com isso e nem é o seu papel dar opinião sobre a escolha eleitoral.
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